terça-feira, 21 de setembro de 2010

Um ano de blog

Amigas,

Este blog fez um ano no último dia 17. Parece que foi ontem que tive a ideia de relatar o que sentia e pensava a respeito do vaginismo de uma forma que não fosse me expor. Ainda tenho muito receio sobre isso. O preconceito é grande quanto às pessoas que, voluntariamente ou não, não têm sexo em sua vida. Percebo isso em comentários deixados em resposta a pessoas que buscam ajuda em chats ou sites de perguntas. Uma pena, porque só quem passa por isso (especialmente em casos como o nosso) sabe o sentimento, a frustração que essa situação provoca.

Durante dias só eu visitava este blog. Mas aos poucos fui assistindo a um aumento no número de visitantes, ainda que anônimas como eu. E fui vendo nascer, a partir daqui, outros blogs, outros relatos, relatos de cura. Eu ainda não cheguei a esse ponto, e a responsabilidade disso é minha, em função da desistência. Já falei aqui que o fato de estar sozinha me desmotiva. Penso em voltar a me exercitar para que, até o segundo aniversário do blog, eu possa trazer uma boa notícia.

Deixo aqui um grande abraço a todas as amigas que vi surgir neste espaço. Pessoas que abriram seus corações pra mim (e pra quem eu também abri o meu coração) e com quem inclusive já comemorei o fato de terem superado o vaginismo. Só peço que não sumam, porque aquelas que estão curadas também são uma ajuda e tanto pra quem continua na luta. E comentem mais nos posts, divulguem os blogs nos grupos de terapia ou com os profissionais que as atendem. E tomara que um dia a mídia que abra ou descubra a responsabilidade social que é divulgar melhor o vaginismo, um dos objetivos deste blog. Ainda que eu não alcance a cura, quero a superação para todas as que, como eu, sofrem com este problema.

Grande abraço,

Amor Perfeito

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O IG falou da nossa rede de blogs

Amigas,

A dr. Fátima Protti, que sempre foi atenciosa comigo e com esse blog, falou da rede de blogs que se formou para troca de experiências sobre vaginismo. A mênção foi feita num texto para o site Delas, do IG, em que uma leitora perguntava sobre não ter relações sexuais, e hoje, já separada, ter medo de se relacionar novamente.

O link é este aqui: http://delas.ig.com.br/colunistas/prazeresexo/poucas+mulheres+conhecem+o+vaginismo/c1237773982677.html.

Obrigada mais uma vez, dra. Fátima, por ser uma divulgadora desse problema que afeta tantas mulheres e pouco é falado na mídia.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Entrevista

Amigas,

Conversei com Priscila Gouveia, do Projeto Afrodite (post anterior), e pedi autorização para postar aqui as respostas das perguntas que fiz a ela. São dúvidas que sempre tive, especialmente a respeito da fisioterapia ginecológica. Priscila foi muito atenciosa. O resultado desse bate-papo via e-mail está aqui. Espero que ajudem vocês também. Grande beijo a todas. E um beijo especial para Priscila.


1) Os exercícios são feitos com o fisioterapeuta ou ele só orienta e a mulher faz em casa?
Os exercícios são realizados em terapia, junto com o fisio, que também orienta os exercícios domiciliares. No vaginismo, é fundamental a paciente se empenhar e seguir na medida do possível, as orientações. Digo na medida do possível porque afastar os grandes e pequenos lábios vaginais durante a higiene íntima, introduzir uma falange do dedo, um OB, parece ser algo tão simples, mas para a mulher vagínica, é algo muito difícil e doloroso psicologicamente.

2) Que tipo de exercício é feito?
Normalmente, dessensibilização. A paciente deita na maca e aos poucos, na medida que a paciente permite e a ansiedade e nervosismos diminuem, o fisio encosta na perna, períneo, tenta afastar grandes e pequenos lábios, encosta na entrada da vagina, objetivando introduzir ao menos dois dedos inteiros no canal vaginal, alongamento da musculatura vaginal. Mas até chegar nesse ponto, são necessárias algumas sessões, mas é claro, cada caso é um caso. Há pacientes com um grau importante de vaginismo e outras, mais leve. Com o tempo, o fisio orienta o uso de próteses penianas, exercícios sexuais com o parceiro, até que ela consiga uma penetração peniana completa, e assim por diante.

3) Que aparelhos ou objetos são usados?
O fisio pode lançar mão de absorventes internos, pode fazer eletroestimulação, e etc, mas não há nada melhor do que suas mãos. O toque é fundamental!

4) Qual é o tempo e a periodicidade das sessões? Qual a duração do tratamento?
A sessão dura cerca de 30min, que deve ser realizada 1 a 2x/sem. O tempo de variação de tratamento depende de cada caso. Algumas pacientes conseguem penetração vaginal em 5 sessões enquanto outras, podem chegar a 30 ou mais. Depende do quão severo é o vaginismo e quais os tabús, preconceitos acerca de sexo e toda a bagagem familiar e pessoal que a paciente trás (vale lembrar que muitas são as vagínicas que, tristemente, passaram por moléstias, abusos e estupros e essa é a origem do vaginismo em muitos casos, e precisa ser avaliado com cautela).

5) Qual o valor (médio)?
No Hospital São Paulo é gratuito, e no consultório, cerca de R$80,00 a R$100,00 a sessão.

6) Como faz a mulher que não consegue introduzir nem o dedo ou o OB?
Vamos trabalhar isso no consultório, e com o tempo, ela conseguirá, com certeza.

7) Como vocês profissionais lidam com o fato de as mulheres se sentirem constrangidas?
Todas as mulheres ficam constrangidas ao ir ao ginecologista. Isso é super normal. A vagínica fica ainda mais: fica tensa, nervosa, chora, e nada melhor do que uma boa conversa e orientação de todas as suas dúvidas para que ela se sinta segura e queira ir para a maca. Em alguns casos, na primeira sessão a paciente está tão nervosa que acaba nem indo para a maca, até que se sinta segura. Entretanto, a vontade de melhorar e superar o vaginismo é tão grande que ela se acalma para que o tratamento possa ser iniciado.

Qualquer dúvida, estou à disposição!
Abraço,
Priscila

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A pedidos, eu publico... dica para que mora em SP

O Hospital Paulista de Medicina, através do Projeto Afrodite, oferece tratamento gratuito para mulheres com disfunções sexuais, ou seja, mulheres com dimunuição ou ausência de desejo sexual, com disfunção de excitação (embora tenham suficiente estímulo sexual não alcançam suficiente lubrificação vaginal), mulheres com anorgasmia ou disfunção orgásmica (não alcançam ou tem dificuldade de alcançar o orgasmo), mulheres com dispareunia (dor durante a relação sexual) e mulheres vagínicas (são pacientes em que ocorre uma contração do canal vaginal que impede a relação sexual). A pessoa interessada deve ligar para o Ambulatório de Sexualidade da Universidade Federal de São Paulo- Escola Paulista de Medicina. A mesma passará por duas aulas sobre sexualidade e em seguida fará a avaliação e tratamento com ginecologistas, psicólogas e fisioterapeutas, dependendo da disfunção apresentada.

Comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98095130

VAGINISMO TEM FIM, SIM!!! Dependendo do caso, a fisioterapia tem uma atuação muitíssimo importante e eficaz, e em outras situações, é realizado um trabalho psicológico associado.

Ambulatório de Sexualidade
Rua Embaú, 66, Vila Clementino.
Fone: 5549-6174.
O tratamento é GRATUITO!!

Dra. Priscila Gouveia
Fisioterapeuta do Projeto Afrodite
Mais informações, direto comigo: benditasmulheres@yahoo.com.br